terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Janela da Frente - VOZES DE CIDADANIA, OU "ESCAPES DO SISTEMA"? - Luís Serrenho






Vozes de Cidadania, ou “escapes do sistema”?

É cada vez mais é visível, para quem estiver atento às rádios e às televisões, na sua programação diurna, os programas destinados à participação dos ouvintes ou dos telespectadores, trazendo a debate temas de interesse popular, que prendem a atenção e incentivam à participação.
Geralmente os temas são relacionados com futebol, ou assuntos pouco relevantes, mas que servem de válvula de escape, esvaziando as indignações dos participantes, com lamentos, criticas e queixumes sempre permanentes.
Há muitas sugestões:  devia-se fazer assim ou assado, o que é feito lá fora é sempre melhor do que em Portugal, numa ladainha lamechas que não nos larga e é cada vez mais repercutida.
Mas, muitos dos participantes ficam com a sensação de que estão mesmo a dar a solução e sentem-se quase “conselheiros”, com soluções e diagnósticos fantásticos para o país. Agradecem sempre deixarem-nos participar e sentem-se realizados por poderem fazê-lo. Sentem que lhes deram voz. Como se essa voz contasse para alguma coisa!...
Depois há o Facebook, onde muitos escrevem verdadeiro tratados de "economês", de “alta” política, com soluções para todos os gostos ao redor dos mesmos temas que a Comunicação Social vai colocando na agenda mediática.
E assim a pressão vai sendo aliviada, tal como numa panela de pressão, estes são escapes do sistema, propositadamente construídos para suavizar tensões acumuladas.
Vamos ficar melhor ou pior?
Vamos ver o que dá!
Esperamos para ver.
Estas são sempre as expressões de dúvida que assaltam aquelas mentes, que de uma forma consentida vão alimentando o “sistema”.
Não nos deixemos acomodar. Precisamos de ser CIDADÃOS activos.
A Cidadania só existe quando o cidadão se move pelos seus direitos, se indigna pelas injustiças, e luta pela Liberdade!

Luís Serrenho


3 comentários:

  1. Caro Luís Serrenho, os tratados de "economês" e de "alta política" que são escritos no Facebook variam do muito mau ao muito bom. E, estando estes cidadãos em contacto uns com os outros, é natural que os mais desconhecedores vão paulatinamente aprendendo alguma coisa com os mais elucidados.

    Desta forma, estando todos mais e melhor informados sobre as vigarices, os roubos e a corrupção que por aí grassa, é possível que, em vez tensões suavizadas, tenhamos um sentimento crescente de revolta. E, mais cedo ou mais tarde, essa revolta mais informada, acabará por vir ao de cima...

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  2. Também podemos encarar a frente cívica como uma válvula de escape, mas prefiro não acreditar nisso e concordo com o comentário anterior. Como é que a frente cívica vai ganhar voz e representatividade? Já vi outros movimentos como o revolução branca que se esvaíram porque esta democracia não tem real representatividade dos cidadãos e associações, já vi até um estudo bastante interessante que promovia que a assembleia fosse eleita por sorteio dos cidadãos, com mais lógica que este sistema aprisionado que temos pelos partidos políticos.

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  3. Para dar ânimo acabei de me lembrar de uma manifestação espontânea de professores que não teve continuidade.
    Lembro-me bem dessa manifestação. Foi incrível. Foi convocada por telemóvel e face book. Pensei muito nisso e acho que ela me dá razão. Reparem:
    1) As pessoas estão insatisfeitas e são capazes de vir à rua sem ser para aumentos de ordenados ou convocadas por sindicatos.
    2) Nessa manif faltou quem a convocasse, quem lhe desse continuidade, quem reclamasse. Muitos tentaram ficar com os louros mas não conseguiram porque ninguém foi organizador.
    3) Como não havia um objectivo além da insatisfação, uns queriam uma coisa, outras queriam precisamente o contrário.

    Tenho a certeza que há capacidade de mobilização. Havendo um objectivo, uma organização por trás, as coisas não ficam paradas. Há que confiar na única coisa onde nos podemos agarrar.
    Claro que pode perguntar qual o objectivo pessoal do Dr. Paulo Teixeira de Morais. Também já pensei nisso.
    1) Pelo que já vi dele, lembrei-me do filósofo Paul Feyerabend: "nada se faz sem vaidade" e eu acrescento "nem a Madre Teresa de Calcutá".
    2) Talvez pretenda ser presidente da república. Ora eu sou monárquico e a única vez que votei não nulo foi nele, precisamente porque não vinha do poder partidário mas sim de um desejo cívico, contra a corrupção.

    Já me propus como membro activo, sou de Braga. Ainda espero resposta.

    Os meus Cumprimentos

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