domingo, 19 de fevereiro de 2017

Janela da Frente - FAZ DE CONTA...- Maria Teresa Serrenho


Faz de Conta...



Sempre gostei de histórias de faz de conta. Fazíamos de conta que eramos princesas e príncipes, fazíamos de conta que eramos os professores, que eramos os artistas, os pilotos, os reis, as rainhas. No fundo fazer de conta era uma oportunidade de podermos ser aquilo que sonhávamos. Ainda por cima todas as histórias de faz de conta tinham finais felizes.
Mas hoje vivemos num mundo de um outro de faz de conta…
As pessoas fazem de conta que têm o mesmo nível de vida, que tinham antes da crise, mantêm as marcas de carros que o seu “estatuto” social “exige”, mantêm as mesmas rotinas e tentam manter um status quo, para o qual já não têm posses e que em vez de lhes dar prazer, acaba por lhes trazer sofrimento e mesmo desespero. Continuam a querer que as crianças tenham o telemóvel topo de gama e as sapatilhas de marca, muitas vezes cortando nos gastos essenciais de alimentação e saúde. Procuram esconder da opinião publica, do vizinho, da família até, que agora afinal também foram afectados pela crise, mantendo uma dolorosa e doentia aparência que deseduca.
Mas o faz de conta é transversal, nas televisões, para além de noticiários absolutamente deprimentes dão-se as notícias seleccionadas que lhes interessam, e que, fazem de conta, serem as mais relevantes. Há directos constantes do julgamento da "Operação Fénix", que faz de conta que é muito mais importante do que o julgamento que se iniciou quase em simultâneo: o dos “Vistos Gold”!
Depois, são os penaltis mal marcados, o campeonato, os ídolos, jogadores milionários, que acalentam sonhos de grandeza, a qualquer rapazito, que preterindo os estudos, se vê já nas capas das revistas desportivas. E continuam com os pormenores à exaustão, do toque, do tropeção, da canelada, do árbitro, do presidente, do “apanha bolas”, de qualquer coisa! E faz de conta que tudo tem a máxima importância!
A seguir vêm os comentadores diversos que, faz de conta que são isentos. Faz de conta  que são especialistas em tudo e mais alguma coisa!
E as pessoas fazem de conta, que acreditam em alguma coisa daquilo que eles vão dizendo.
Entretanto uns “exemplares” de sem abrigo, fazem de conta que têm uma vida normal e até oferecem um almoço ao Presidente da República. E os milhares de sem abrigo que continuam na rua, ao frio e à chuva, não conseguem, com certeza, fazer de conta, que amanhã o sol brilhará na janela de uma casa, onde possam morar.
Depois há os milhares de idosos, com menos de trezentos euros para viverem durante um mês, que vão fazendo de conta que se vão remediando, numa tristeza gelada, que lhes consome o corpo e a alma.
E as milhares de famílias desesperadas, onde o desemprego bateu à porta, onde é constante a ameaça de perderem o carro e a casa, onde se faz de conta que é moda ser magro, onde se faz de conta que se vive e apenas mal se sobrevive.
E o mais estranho de tudo isto, é que a maioria faz de conta que não é pobre, porque tem vergonha, porque tem medo de ser ostracizada e ainda mais excluída.
Como disse Mia Couto: “A pressa em mostrar que não se é pobre é, em si mesma, um atestado de pobreza. A nossa pobreza não pode ser motivo de ocultação. Quem deve sentir vergonha não é o pobre mas quem cria pobreza.” 
Não podemos fazer de conta que não sabemos que há responsáveis pela pobreza crescente, que há gente a parasitar sobre a pobreza dos outros. Nós sabemos quem são! Temos que acabar com um sistema de justiça que faz de conta que faz. Porque este faz de conta, jamais poderá ter um final feliz!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Janela da Frente - PONTE VASCO DE... GAMANÇO - Paulo de Morais




Ponte Vasco de… Gamanço

A concessão da Ponte Vasco da Gama, acordo entre o Estado português e a Lusoponte, tem sido um negócio catastrófico para as finanças públicas. Anuncia-se agora mais uma renegociação do contrato: o estado irá compensar os concessionários da Ponte, cujo maior accionista é a Vinci, para que estes permitam o acesso ao novo aeroporto do Montijo que será explorado… pela própria Vinci. A Vinci será assim indemnizada… pelos benefícios do seu próprio negócio.
A história da Ponte começou mal e só tem vindo a piorar. A participação privada na mais recente travessia do Tejo nasceu de uma mentira: dizia-se que o estado não tinha recursos próprios para construir a infra-estrutura e recorria ao apoio dos privados. Nada mais falso! Até porque os privados entraram com apenas um quarto dos 897 milhões de euros em que orçava o investimento. O restante foi garantido pelo estado português, através do Fundo de Coesão da União Europeia (36%), da cedência da receita das portagens da Ponte 25 de Abril (6%) e por um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos (33%). O verdadeiro investidor foi o estado, que assim garantiu a privados rendas obscenas: as receitas das portagens atingiram valores da centena de milhões de euros ao ano.
Para agravar esta situação, o estado ainda negociou sucessivos acordos para “a reposição de equilíbrio financeiro”, através dos quais se foram concedendo ainda mais benefícios aos concessionários. Sem razão aparente, o estado prolongou a concessão por sete anos, provocando perdas que foram superiores a mil milhões.
Tem sido assim ao longo dos anos e anunciam-se mais privilégios para a Lusoponte. 
Basta! Aqui chegados, só haveria agora uma solução justa para desfazer este desastre financeiro para os contribuintes: a expropriação da ponte Vasco da Gama. A custo zero. Qualquer solução distinta, será a continuação do gamanço na ponte.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017





 

Em reunião da Comissão Instaladora da Frente Cívica, foram tomadas as seguintes decisões:


  •  Por não se enquadrar nos objectivos da Frente Cívica e por incapacidade logística, não serão, por regra, tratados assuntos individuais; 
  •   A admissão de novos associados, será analisada e aprovada em reunião da Comissão Instaladora; 
  •  A quota anual de Associado será de 24€ (2€ mês);                                                         (Caso subsista dificuldades económicas, poderão ficar isentos com pedido expresso à Comissão Instaladora, através de carta ou email.)                                                                                         Podem fazer o pagamento através de transferência para: IBAN: PT50-0045 5136 4028390481093 
  • Os valores que excederem a quota anual, serão considerados donativos, dos quais serão passados os respectivos recibos (dedutíveis à colecta), as transferências deverão estar identificadas com o nome do associado, para possibilitar o envio do respectivo recibo;
 Plano Anual de Actividades:

  • Dinamização do Blog e da página do Facebook da FRENTE CÍVICA; 
  • Janela da Frente” - Publicações periódicas, às terças feiras, quinta feiras e domingos, com artigos de opinião dos membros da Comissão Instaladora e/ou convidados. 
  • Tomadas de posição mensais sobre assuntos considerados prementes, através de comunicados ou cartas aos responsáveis. 
  •  Caminhos da Frente” – Reuniões bimestrais a realizar pelo país, com debates temáticos ou generalistas e com o objectivo de aproximar a Frente das pessoas. 
  •  Apresentação da Frente Cívica, através de contactos protocolares, a várias entidades nacionais consideradas credíveis;
  • Realização de três eventos nacionais: 
    • Realização de um Seminário sobre as PPP Rodoviárias, em 8 de Abril no Porto; 
    • Realização de um Congresso/Seminário realizado em parceria com outras organizações “Futuro de Angola”, em Maio; 
    • Realização de um Seminário sobre “Protecção de Idosos”, a realizar em finais de Setembro, dia e local a anunciar. 
 (Serão organizados documentos finais (impressos e digitais) dos eventos, que serão entregues às entidades visadas, à comunicação social e a quem se manifestar interessado.)
  • Realização de uma Reunião Plenário para preparação das eleições dos Corpos Sociais.




domingo, 12 de fevereiro de 2017



CARTA DE PRINCÍPIOS


A Frente Cívica é uma rede de pensamento e acção colectivos. Procura combater os problemas crónicos da sociedade portuguesa, através da denúncia dos mecanismos subjacentes e dos seus responsáveis, identificando soluções e formas de as implementar. A Frente Cívica é um movimento de cidadãos para cidadãos que recusa ideologias partidárias e apenas aceita princípios de acções.  A Frente Cívica quer promover a reflexão sobre os problemas sociais e políticos que afectam Portugal e pugnar pela sua resolução em benefício do colectivo. A Frente Cívica rege-se pelos seguintes princípios:

1.    A Frente Cívica defende a dignidade da pessoa humana, pugna pelos direitos humanos e elege a liberdade, a igualdade, a solidariedade e a justiça como vectores fundamentais.

2.    A Frente Cívica respeita o Estado de Direito democrático e a soberania Portuguesa.

3.    A Frente Cívica promove o princípio da democracia participativa, reconhecendo a cada cidadão o direito a participar no debate, deliberação e tomada de decisão relativamente ao governo e destino do País.

4.    A Frente Cívica apoia-se na defesa do princípio constitucional da liberdade de expressão, princípio que honra combatendo o medo e todas as tentativas de cercear o livre debate e o direito à opinião.

5.    A Frente Cívica defende uma sociedade solidária e inclusiva, procurando envolver nas suas acções cidadãos de qualquer estatuto socioeconómico, em especial os que não têm recursos para participar nos processos democráticos.

6.    A Frente Cívica salvaguarda o interesse geral em todas as suas acções, procurando soluções que beneficiem os cidadãos e a comunidade nacional, assim como as suas futuras gerações.

7.    A Frente Cívica pugna pela transparência da vida pública, pela equidade fiscal, a probidade nos gastos públicos e a sustentabilidade ambiental.

8.    A Frente Cívica defende um espaço público saudável, participativo e aberto à discussão sobre questões que verdadeiramente afectam a qualidade de vida, segurança e conforto dos portugueses.

9.    A Frente Cívica usa todos os meios legítimos à sua disposição para defender as causas pelas quais se bate sem olhar a fronteiras, desde a denúncia pública às instâncias judiciais, passando pela interpelação de responsáveis políticos e administrativos.

10.  A Frente Cívica pugna pela mobilização activa dos portugueses na defesa das causas colectivas, combatendo a indiferença e o alheamento político.