No dia 24 de Setembro de 2016 realizou-se
o 1.º Encontro da FRENTE CÍVICA, estruturámos este primeiro encontro começando
por ouvir o mentor, o fundador
e ideólogo desta frente. Paulo de Morais começou por se regozijar com o facto
de se conseguir juntar gente séria e preocupada, desassossegada, vinda de
origens diversas, para discutir aquilo que mais nos preocupa: o futuro do nosso
país. Afirmando que a razão deste 1.º Encontro será criarmos as bases de
constituição de um novo movimento, a nossa Frente
Cívica.
E continuou: “ Porquê uma frente cívica? Porque há em Portugal, de facto, um enorme défice de participação cívica.
Apesar de dispormos de uma democracia formal, de ocorrerem regularmente os
diversos actos eleitorais, não há, entre eleições, um verdadeiro escrutínio das
decisões tomadas em nome e com mandato do povo. Assim, os mandatários do poder
popular rapidamente se transformam em mandantes ao serviço de interesses que
não os do povo, nomeadamente os dos grandes grupos económicos.
Para que a democracia seja autêntica e se evitem estes vícios, é necessário
que a democracia assente num tripé. O primeiro pilar é o da democracia
representativa formal, que permite que os cidadãos votem livremente de quatro
em quatro, de cinco em cinco anos. E, apesar da fortíssima, da crescente
abstenção, as eleições têm de facto tido lugar. Não podemos negar que vivemos
numa democracia formal.
Mas, para que uma democracia seja autêntica, é ainda necessário que
disponha de outros atributos. É fundamental que a Justiça funcione, pois só
esta defende as minorias das arbitrariedades que as maiorias cometem no
exercício do poder, só a Justiça evita os excessos dos detentores de cargos
políticos e dos membros da Administração.
Mas é necessário ainda que os cidadãos disponham de mecanismos de
participação e possam influenciar em permanência o seu destino colectivo.
Daí a necessidade de se estruturar a participação cívica através de um
movimento forte e organizado. Será esse o desígnio desta Frente, criar mecanismos
permanentes de participação dos cidadãos na vida do seu país.
O que será a Frente Cívica? A Frente Cívica que está agora
em gestação será um movimento de homens e mulheres livres, que não se resignam
com o estado a que chegou a democracia em Portugal.
Depende da vontade duma minoria de resistentes que façam
acordar todos os restantes, os quatro milhões que não votam, os que vivem com
pensões de miséria, aqueles que legitimam com a sua passividade este poder
corrupto que nos oprime. No fundo, temos de vencer o medo, o medo dominante na
sociedade portuguesa. É necessário que as expressões de descontentamento que se
sussurram nos cafés vejam a luz do espaço público.
Queremos apelar às consciências de todos, provocar
inquietação em todo o país, em todos os grupos socio-económicos, em todas as
gerações. O que defenderemos é a liberdade de opinião e de expressão, a
indignação com o estado a que chegámos. Tentaremos abanar esta democracia
moribunda, este sistema pantanoso.
A Frente Cívica não será seguramente uma feira de vaidades,
nem um trampolim para outros voos seja de quem for. Não será um partido
político, apesar de ter no seu seio gente de todos os quadrantes, de vários
partidos, independentes e até dos mais distantes na política.”
As intervenções de Paulo de Morais foram praticamente
colocadas na integra, pois, dada a sua importância, era impossível serem
resumidas.
Seguiu-se um período de intervenções de quem se inscreveu,
tendo sido dada oportunidade a todos os 20 inscritos. Estas intervenções, assim
como todo o encontro foram filmadas e serão oportunamente publicadas
individualmente no canal de youtube da Frente Cívica, para poderem ser
visualizadas.
Destas intervenções, e para não sermos demasiado exaustivos,
salientamos, para além das palavras de incentivo e de recomendações
organizacionais, o conselho de alguns para que não cedêssemos à tentação de nos
podermos deixar motivar pela ansiedade de intervir, atropelando as decisões
necessária ou criando compromissos impossíveis de alcançar.
Foi salientada a necessidade de replicar estes encontros
pelo país e ainda a urgência de democratizar o debate público. A comunicação e
a utilização das redes sociais, com aplicações especificas e atuais, foram
sugeridas como meio de contornar a falta de visibilidade na comunicação social.
Quanto às sugestões de temas de intervenção da Frente
Cívica, foram referidas as áreas da Justiça, em que vários constataram da sua
inoperância e elitismo, tendo sido sugerido que se pugnasse pela criação de um
Serviço Nacional de Justiça. Foi abordado o tema da educação, nomeadamente no
que concerne à reutilização dos livros escolares, no ensino básico e no
universitário às praxes académicas e à preocupação do afastamento dos jovens da
política. O regime político, o sistema eleitoral, o financiamento dos partidos,
o llobbying, a necessidade de controlo dos políticos pelos cidadãos, foram
temas sugeridos, bem como algumas preocupações ambientais.
“Como funcionará a Frente Cívica? Esta FRENTE CÍVICA propõe-se identificar os problemas crónicos da sociedade
portuguesa, denunciar os seus responsáveis, construir soluções e lutar pela sua
implementação.
Os problemas elencados são inúmeros: gastos públicos em parcerias público-privadas
ruinosas para o Orçamento de Estado, falta de um sistema de prevenção adequado
de incêndios, desemprego crónico sem soluções adequadas, o desperdício dos
recursos naturais, uma corrupção dominante na vida política, a não aplicação
adequada dos nossos impostos em função do interesse público, os gastos
desmesurados do estado em mordomias impróprias dum estado moderno, os
resquícios de poder feudal, a falta de liberdade de expressão e opinião, o
prenúncio da censura… são inúmeros.
Não será aliás esse o nosso problema, o de identificar problemas crónicos
na sociedade portuguesa. O nosso problema será o de priorizar as intervenções.
Pretendemos encontrar, para cada caso, soluções estruturadas, cativando
para cada causa o know-how disperso na sociedade; e, sempre que possível,
pugnar pela sua implementação. No local próprio, sempre em nome da participação
cívica.
Para que serve criar uma Frente Cívica? Finalmente, para
que nos daremos a todos estes trabalhos e incómodos? Para que Portugal sai
deste marasmo crónico em que vivemos. Tivemos esperança de que iríamos vencer o
fatalismo em 74 com a Revolução e a Democracia. Tivemos esperança quando nos
anos 80 entrámos na União Europeia, mas a cada momento de esperança, a
sociedade viu-se contemplada com a decepção, em particular nos últimos anos
desde o advento da crise.
Temos hoje metade da população que estaria em situação de
pobreza, não fossem os benefícios sociais de que usufrui, temos centenas de
milhar com pensões de pouco mais de duzentos euros, cento e cinquenta mil que,
mesmo a trabalhar recebem pouco mais de trezentos euros. E enquanto isto, as
verbas dos nossos impostos nem sempre têm o destino adequado.
Esta Frente serve para denunciar o que está mal e despertar
consciências. Serve para juntar vontades e apresentar soluções. E serve para
personificar a resistência e pugnar por melhores soluções na vida pública. O
nosso objectivo será incrementar melhorias, por via do desassossego colectivo.
Vamos em Frente. Temos
vontade, teremos um embrião de organização.
Vamos em Frente, ajudem-nos a
priorizar as nossas preocupações, participemos todos na construção de soluções
para os problemas crónicos de Portugal.
Todos juntos, lutaremos pelo
nosso País.
Faremos de Portugal um país
melhor...
Se em conjunto construirmos
este novo movimento, a frente cívica ...
Fartos de oscilar entre a
esquerda e a direita…. Vamos em frente!!!”
Em jeito de conclusão Teresa
Serrenho referiu que a Frente Cívica promoverá encontros de Norte a Sul do
país, no mais curto espaço de tempo possível, sendo os primeiros encontros em
Lisboa, Porto e Faro.
Referiu ainda que a Comissão
Instaladora pugnará por organizar a formalização da constituição legal da
Frente Cívica, elaborando a sua Carta de Princípios e respetivos Estatutos, que
porá, entretanto, à discussão e enriquecimento na sua página do facebook.
Informou também que serão
considerados Sócios Fundadores, todos os que se inscreverem na Frente Cívica
até à data da sua formalização notarial.
Tendo terminado com a
afirmação de que: “A Frente Cívica deixou de ser de Paulo de Morais, a FRENTE
CÍVICA é nossa e nossa é a responsabilidade de a fazer crescer forte e eficaz.”
O primeiro encontro da Frente Cívica terminou com um “Viva
a Frente Cívica” e uma forte ovação de pé de todos os presentes.



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ResponderEliminarO Plano Perfeito!...
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ResponderEliminarEstimada Teresa Serrenho, infelizmente não pude estar presente no 1º Encontro da Frente Cívica por me encontrar fora do País e ouso esperar poder estar presente no próximo Encontro a ser marcado.
Quero expressar o meu interesse em poder contribuir na Frente Cívica, na qual vejo esta, o veículo imprescindível para priorizar as intervenções cívicas sustentadas pelo conhecimento das arquitecturas nefastas na governação de Portugal desde há muitos anos, para que seja assim possível encontrar soluções estruturadas eficazes para cada caso identificado, a fim de pugnar pela sua implementação graças à determinação inteligente da colectividade.
Considerando que a Democracia traduz uma atitude comportamental de todos os actores na sociedade, nomeadamente valorizando o Cidadão em agir colectivamente através da sua tomada de consciência da sua capacidade de acção na colectividade, abrindo espaços de iniciativas e de trocas destacando assim a cidadania num perfil activo e dinâmico, quero apresentar uma proposta à Frente Cívica, no âmbito de levar a efeito iniciativas e instrumentos de inteligência colectiva, susceptíveis de favorecer a o debate democrático que reforçará o despertar da imprescindível atitude comportamental que a Cidadania exige de todos os actores da sociedade.
Considerando que o modelo societal e de governação encontra-se minado para se manter estagnado, por interesses de conveniência da colonização em curso pelo projecto da globalização, reforço aqui o papel imprescindível do Movimento da Frente Cívica, reflectir a vontade de pôr em relevo a capacidade de criatividade e inventiva de cada actor da sociedade na redefinição das noções de cidadania e de democracia, criando novas iniciativas que vão neste sentido e de dar aos cidadãos os meios para utilizar a sua capacidade de mobilização social.
Proponho que se crie um instrumento de dinamização no movimento, a Carta de Cidadania, que foca os três principais desafios aos quais a Democracia hoje é confrontada:
1) a insuficiência da relação social e a subida da exclusão;
2) a pretensão dos meios de comunicação social em deter o monopólio da representação e da legitimidade;
3) a impotência das políticas a solucionar os problemas.
Por esta razão, estimo que é urgente favorecer uma nova cidadania ao mesmo tempo política, económica e social, no âmbito da reflexão e da decisão das direcções a tomar destacando o sentido de cada acção o que colocará o Cidadão no meio das novas formas de regulações sociais.
Evelyn MC