quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Janela da Frente - Ética? A ética era verde, passou um burro e comeu-a! - Maria Teresa Serrenho




Ética? A ética era verde, passou um burro e comeu-a!


A Ética, deveria ser um valor social que identifica o carácter, as crenças e as relações entre seres humanos.

A diciopédia diz: “A palavra "ética" vem do grego ethos e significa aquilo que pertence ao "bom costume", "costume superior", "portador de carácter" ou "modo de ser". Trata-se de uma disciplina da filosofia que estuda a conduta humana.”

Será que ainda podemos falar de ética? A ética ainda existe?

Estamos na época da “pós-verdade”. A pós-verdade parece compor e limpar as acções a belo prazer dos interessados. E um facto incontestável e condenável, passa a ter várias interpretações e pontos de vista. Este ambiente de pós-verdade só pode prosperar numa sociedade conformista e indiferente, numa sociedade farta da deslealdade e da desonestidade dos políticos, que se acomodou por exaustão.

Nesta época de falsidade, desonestidade, corrupção e compadrio a mentira é já uma regra e não uma excepção, o significado das palavras parece perder o valor, pois, até mesmo os que falam verdade, utilizando palavras que ficam gastas, por tanto serem usadas pelos mentirosos, soam a falso!

E assim se vive num mundo de mentira em que cada um escolhe a que lhe é mais favorável, para defender os seus interesses.

Onde se encontra a ética no meio deste lodaçal? Será que desapareceu? Ou como afirma o Zé Povinho “era verde, passou um burro e comeu-a”.

E num país sem ética, de políticos sem vergonha, pode-se tudo, já nem têm o pudor de se esconder, porque tudo parece normal. Desde ter moradas falsas, marcar presenças fraudulentas, fazer jeitinhos aos colegas de partido, assinar umas autorizações, uns contractos, enfim, sendo efectivamente os donos disto tudo!

E a nossa sociedade, tão “evoluída”! A nossa sociedade da informática, da web… isto, da web…aquilo, mergulha num perigoso poço da morte, que gira numa velocidade vertiginosa, que pode matar a sempre frágil democracia e a sua parceira Liberdade.

Que exemplos estamos a dar aos nossos jovens? Que educação lhes podemos oferecer? A ética, a querência e a honestidade serão apenas para alguns? Ou são conceitos que irão ficar para a história? Devemos antes ensinar-lhes que tudo é legítimo, que podemos tudo e que todos os meios são válidos para alcançar os fins?

Fico seriamente preocupada e chocada com este cenário, com os muitos exemplos dados pelos nossos políticos e sobretudo com a naturalidade e desfaçatez, com que lidam com as situações criadas por eles próprios.

É reconhecida a necessidade de se educar para a cidadania, o Ministério da Educação afirma mesmo :”Enquanto processo educativo, a educação para a cidadania visa contribuir para a formação de pessoas responsáveis, autónomas, solidárias, que conhecem e exercem os seus direitos e deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo.

Que bem prega São Tomaz, faz o que ele diz, não faças como ele faz!


Mas efectivamente só a Educação pode mudar a sociedade e os jovens são inteligentes e talentosos, parecem hoje alheados da política, porque descrentes dos políticos, mas chegará a hora deles e acredito que a mudança surgirá, com novos conceitos, com novos métodos, novos paradigmas. E quero crer e esperar que com ética e respeito renovados pelo Ambiente e pelo ser Humano.



sábado, 3 de novembro de 2018

Entidades públicas inúteis… mas sobreviventes!


Entidades públicas inúteis… mas sobreviventes!


São inúmeros os organismos públicos que não servem para rigorosamente nada! E, no entanto, sobrevivem. Os exemplos multiplicam-se, da Administração Central à Local. Desde o topo do Estado, à mais pequena freguesia. O exemplar máximo da inutilidade absoluta é o Conselho de Estado, órgão de aconselhamento do Presidente. É constituído pelas principais figuras do Estado, uma espécie de corte figurativa do Presidente. Os pareceres que emite não são vinculativos. São por norma ignorados. O Conselho deve ser extinto. 

Igualmente inúteis são muitas das nossas Embaixadas. Salvo honrosas excepções, servem apenas para apoiar as viagens de governantes e suas comitivas, que viajam em digressão por esse mundo fora. Sem qualquer utilidade visível para o país – tanto as Embaixadas quanto as comitivas!  

Há ainda órgãos com aparente relevância democrática mas que apenas disfarçam o défice de participação da sociedade. É o caso do Comité Económico e Social, onde têm assento sindicatos, associações patronais, instituições de solidariedade. Cada um defende os seus interesses corporativos. Emite pareceres sobre matéria legislativa, que o Parlamento desvaloriza. 

Há também entidades públicas que poderiam até ter sido úteis, mas jamais cumpriram a missão que lhes foi atribuída. É o caso das comunidades intermunicipais (CIM), que deveriam ter assumido competências das comissões de coordenação, que assim seriam abolidas. Mas as Comissões de Coordenação mantiveram-se. Até hoje, crescem e não param de nomear gente e mais gente. E as CIM, que, mesmo sem competências claras, criaram milhares de empregos supérfluos – subsistem também.

Aqui estão alguns, apenas alguns, exemplos de entidades inúteis e caras. Aos quais poderíamos acrescentar fundações públicas, agências e institutos; ou até entidades reguladoras que nada regulam, como a ERSE (na energia), a ERSAR (nos resíduos), ou a ERC (nos media) entre outras. E já para nem falar das muitas empresas municipais, que servem quase só para distribuir “tachos” e benesses pelos “boys” do partido e para adjudicar negócios aos empresários de regime.

Estas entidades inúteis multiplicam-se. Os seus custos financeiros constituem uma ofensa. A sua inoperância desacredita a Administração. Infelizmente, como a coragem escasseia na Política (e não só!), as entidades públicas inúteis sobreviverão; graças aos impostos gerados à custa dos sacrifícios de todos.

Paulo de Morais
03/11/2018