sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Janela da Frente - ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS NÃO SÃO NACIONAIS - Paulo de Morais



Eleições Autárquicas não são Nacionais



As eleições autárquicas não deveriam ocorrer simultaneamente em todo o país. Não há nenhuma razão para tal. E as desvantagens da simultaneidade são inúmeras, tanto nas campanhas eleitorais como no rescaldo das eleições.

A primeira e a mais grave de todas tem a ver com as campanhas. Os líderes dos partidos fazem das campanhas autárquicas momentos de propaganda partidária. Desprezam os temas locais e apenas falam de questões nacionais. Com a ajuda das televisões. Nos telejornais, RTP, SIC e TVI noticiaram esta campanha autárquica como se fosse apenas tempo de antena dos maiores partidos. Deram voz apenas aos líderes dos partidos de regime (PS, PSD, Bloco, PC e CDS). Ouvimos, no último mês, Passos Coelho e Jerónimo de Sousa a comentar temas não autárquicos; vimos Catarina Martins, líder de um partido que tem zero presidentes de câmara; e ainda levámos com a ilustre desconhecida Ana Catarina Mendes, do PS - nenhum deles candidato. Ouvimos ainda Assunção Cristas, candidata em Lisboa, a abordar temas nacionais... no Porto ou em Trás-os-Montes. Os candidatos independentes foram absolutamente ignorados. Em tempo de campanha, os líderes dos maiores partidos acharam-se donos das televisões (sobretudo da RTP), usando os telejornais como tempo de antena, travestido de noticiário; e assim transformando os jornalistas em publicitários.

Mas ainda mais grave é a apreciação que se fará dos resultados eleitorais, quando esta análise for realizada numa perspectiva nacional. Governo e Oposição irão apropriar-se dos resultados das autárquicas para fundamentarem a sua análise das políticas nacionais. O que não faz qualquer sentido. E é ignóbil sob o ponto de vista democrático. Não se pode inferir que quem vote num candidato autárquico socialista num qualquer concelho concorde com as políticas governamentais de António Costa. Nem tão-pouco é legítimo concluir que um votante num autarca do PSD repudie as políticas governamentais da “Geringonça” ou concorde com o rumo que passos Coelho deu ao PSD. Aliás as tentativas de análise nacional dos resultados autárquicos são uma forma ilegítima de coacção sobre o eleitorado; mais coação a somar à propaganda partidária em tempo de campanha.

É pois urgente que se altere o regime eleitoral para que as eleições autárquicas não tenham lugar em todos os concelhos ao mesmo tempo. Mas, até lá, é imperioso que cada um de nós vote em consciência naquele que prefere para líder autárquico do seu concelho. E não permita que o seu voto seja alienado em interpretações nacionais abusivas de um voto que é - e se quer continue a ser - apenas e tão só local e livre; e livre de outras interpretações. 


Paulo Morais


1 comentário:

  1. Sr.Paulo de Morais

    - Enquanto os Portugueses que acreditam no"pai natal"(e são muitos)não perceberem que não vivemos em Verdadeira Democracia,pois a Verdadeira Democracia só existe e se alcança na minha modesta opinião quando optar-mos por adoptar uma postura na sociedade 90% Participativa e 10% Representativa e não o contrário,como até agora aconteceu e acontece.
    Evidentemente que para que tal aconteça temos que fazer uma Revolução sem flores.mas sim com Coragem e Honestidade Moral e Intelectual doa a quem doer.
    As palavras já o vento levou,passemos aos actos,e só para esses pode contar comigo.
    vou dar um exemplo prático para de uma forma pragmática e rápida(não 5 anos,mas sim 5 dias) resolver a ultima questão da actualidade (Operação Marquês)e esclarecer e começarem já e agora a perceber que vai acabar, o recreio,a brincadeira e a palhaçada:

    1º Prender imediatamente um dos intervenientes e acusados neste processo de nome Armando Vara,pois já deve 5 anos à casa(prisão).

    2º Efectuar o arresto (preventivo),impedindo qualquer forma de usufruto dos mesmos,de todos os bens pertencentes aos acusados e familiares a favor do Estado até ao montante definido pelo Ministério Publico nas acusações proferidas.

    3º Legislar imediatamente sobre a necessidade imperiosa da inversão do ónus da prova como uma das formas mais importantes e céleres de ajudar a Justiça a desempenhar o seu papel com mais eficácia no que concerne nomeadamente a processos tipificados como de "colarinho branco".Esta legislação deverá ter também carácter retroactivo a todos os Processos concluídos ou ainda não,em que o Estado tenha sido parte importante lesada,nomeadamente todos os casos que envolvam ou tenham envolvido Entidades Bancárias ou com elas relacionadas.

    Estes são apenas alguns exemplos do muito que há a fazer e do pouco que há a dizer.


    ResponderEliminar