domingo, 15 de janeiro de 2017

Janela da Frente - DAVID CONTRA GOLIAS – o caso do movimento reutilizar.org - Henrique Trigueiros Cunha



David contra Golias – o caso do movimento reutilizar.org


“O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior.”
                                                                                                        Platão (4 28 – 347 AC)


Há milhares de anos que se escreve sobre o afastamento dos cidadãos da Política e da causa pública. Preferimos não ter opinião e/ou simplesmente criticar quem a tem. É mais fácil ficar em casa e dizer que está tudo mal que agir, tomar uma posição nos fóruns próprios e arriscar-se a ser também alvo da crítica dos outros.

A consequência do alheamento da maioria dos Portugueses da vida pública, no seu bairro ou na sua freguesia, na escola dos filhos ou no seu sindicato, é deixar que o seu destino seja determinado por outros nem sempre interessados apenas no bem comum!

Na opinião do Papa Francisco “envolver-se na política é uma obrigação para um cristão,…, os cristãos não podem fazer de Pilatos, lavar as mãos … Devemos implicar-nos na política porque a política é uma das formas mais elevadas de caridade, visto que procura o bem comum”.

Ora, num país maioritariamente católico que atravessa uma das maiores crises económicas da sua história recente, não se compreende que metade dos eleitores não se dêem ao trabalho de ir votar!

A pergunta que se coloca é se a acção de cada um de nós pode contribuir para a resolução dos problemas que mais afectam o quotidiano dos Portugueses.

A minha experiência pessoal no movimento pela reutilização dos livros escolares – reutilizar.org – demonstra que sim, é possível! Esta é uma história que vale a pena contar.

Tudo começou com uma publicação no facebook que anunciava um “banco” a que qualquer pessoa podia recorrer para oferecer ou receber gratuitamente livros escolares. A publicação tornou-se viral e conduziu à abertura de centenas de outros bancos um pouco por todo o País a que recorrem todos os anos centenas de milhar de famílias demonstrando que a maioria dos Portugueses pensa como eu e entende que o destino dos livros escolares dos seus filhos não deve ser o lixo. A opinião generalizada é de que os livros devem ser reutilizados por regra e que compete à tutela das escolas promover essa reutilização.

Com o surpreendente crescimento deste movimento e com a opinião pública mais informada sobre o assunto, veio a consciência das dificuldades encontradas pelas famílias para reutilizar os seus livros traduzida numa queixa apresentada ao Provedor de Justiça subscrita por mais de 5.000 pessoas que pela sua pertinência chamou a atenção dos partidos políticos e da comunicação social.

Resultado disso temos hoje um Ministro da Educação disposto a cumprir a lei e dois grandes trabalhos de jornalismo de investigação (TVI e RTP) que demonstram que nada é inocente ou transparente no negócio dos livros escolares. Fica claro que as duas empresas que conseguiram adiar uma década a implementação de um sistema de empréstimo de manuais escolares, com grande prejuízo para o Estado e para todas as famílias com filhos em idade escolar, tudo farão para impedir a acção do actual executivo e contam com o apoio silencioso da mais representativa confederação de associações pais!

A batalha não está ganha mas a intervenção dos cidadãos foi determinante para trazer para a agenda política um problema que durante 10 anos os vários ministros da educação não foram capazes de ultrapassar!

O caso do movimento reutilizar.org e a causa dos livros escolares é apenas mais um que demonstra que a acção de uma pessoa (seguida por muitas outras!) pode fazer toda a diferença na vida de centenas de milhar de famílias e deve servir de exemplo e motivação para todos os que querem dar o seu contributo para um mundo mais justo e solidário! 


Henrique Trigueiros Cunha
(fundador e porta voz do movimento reutilizar.org)

2 comentários:

  1. Os meus sinceros parabéns, pelos resultados da sua iniciativa.Creio que a forma de se mudar o que quer que seja, tenha como grande impulsionador, a acção, em detrimento da intenção.Sendo cristão ( ausente.. ), não sou como Pilatos, mas tenho muita dificuldade em me rever nos partidos políticos.
    Relativamente a actos que possam mudar o quotidiano dos Portugueses, apostaria em acções de âmbito muito limitado, mas que gradualmente pudessem melhorar a vida de todos nós.
    Estou a pensar no que se poderia fazer no sector das pescas e da costa Portuguesa, na redução do nr de deputados, na redução de penas de alguns presos que trabalha-sem para -não á redução de penas por decreto, etc, etc, etc.
    Cumprimentos

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  2. Em nome do Henrique Trigueiros Cunha e da Frente Cívica agradeço o seu comentário e as suas sugestões.
    Os melhores cumprimentos

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