domingo, 8 de janeiro de 2017

Janela da Frente - TUDO SE CRIA! - Maria Teresa Serrenho


Começou um novo ano e lá vieram as habituais noticias e reportagens, daqueles que por sorte ou por azar, nasceram nos primeiros minutos do novo ano.
O destaque destes nascimentos, prende-se, provavelmente, com alguma necessidade de que o ano comece com mensagens de esperança. Sim, porque o nascimento de uma criança transmite esperança, alegria e prosperidade.
No entanto nem sempre é assim, infelizmente há demasiadas histórias sociais e pessoais que condicionam essa felicidade e essa esperança.
Ouve-se demasiadas vezes, na voz popular  dizer: “Tudo se Cria!”
Ouve-se quando há uma gravidez inesperada (por descuido, por abuso, por inconsciência na adolescência, etc.), ou quando se dá uma separação de um casal com filhos, quando falta um dos progenitores. Enfim… Tudo se cria!...
Mas o que é isso de criar?
Criam-se as galinhas, os bacorinhos, o cabrito, ou até na horta, as couves e as hortaliças podem ficar bem ou mal criadas, mas não uma criança!...
Claro que não é barato termos um filho nos dias que correm, há demasiados encargos para que cresçam fortes e saudáveis.
Mas, muito mais do que satisfazer as necessidades básicas de alimentar, vestir, calçar e comprar bens materiais, uma criança precisa de ser amada, e educada.
Precisa de aprender a lidar com as emoções e com as contrariedades da vida.
Temos pois que oferecer-lhe uma educação que favoreça o despertar da sua criatividade, dinamismo e a sua capacidade de comprometimento com a sociedade que a rodeia.
É preciso que conversemos com ela, que ouçamos a sua opinião, que a façamos pensar e escolher os caminhos que quer percorrer, sempre numa óptica de respeito por si própria e pelos outros.
É preciso que ela saiba reconhecer o valor daquilo que se adquire com esforço, o valor da escola e o valor do trabalho, como factor realizador dos seres humanos.
Não se quer bem a uma criança a quem se dá tudo de mão beijada, que recebe recompensas sem qualquer esforço ou comprometimento, que exige aos pais isto ou aquilo, porque o colega também tem, sem que essa criança se aperceba, do esforço que os pais fazem para lhe satisfazer os seus desejos e caprichos.
Mais tarde, será um jovem constantemente insatisfeito, sem sonhos ou objectivos e mais tarde ainda (por vezes tarde demais) será um adulto frustrado e irresponsável.
É preciso que a criança cresça desenvolvendo o Saber. O Saber Fazer, o Saber Ser e o Saber Conviver, alicerçando os valores éticos de liberdade, e de respeito. Compreendendo-se a si própria como pessoa. Compreendendo os outros como pessoas seus semelhantes, respeitando a dignidade humana e comprometendo-se na construção de uma sociedade fraterna, justa e solidária.
Qualquer criança deveria ter direito de ser verdadeiramente criança, tendo o carinho e o conforto necessários, espaços condignos para dormir e para viver, tempo para brincar, tempo para criar.
Uma criança precisa desenvolver a capacidade de se relacionar, com o mundo, consigo mesma e com os outros, de forma a que desenvolva condições de saber amar, de saber questionar, optar, criar, decidir e agir respeitando-se, respeitando os outros, respeitando os animais e a natureza.
E não são apenas os pais os responsáveis pela educação das nossas crianças, todos somos responsáveis, porque, todos educamos, com os nossos exemplos, com os nossos gestos e atitudes diárias.
Criar e ser criativo é realmente fundamental. Mas não no sentido em que, por vezes, é aplicado.
Sejamos, pois, criativos em tudo o que fizermos, criando horizontes de esperança, educando cada dia melhor as nossas crianças no presente, conscientes de só por elas e com elas, se pode criar um melhor futuro.

2 comentários:

  1. Sem dúvida que este será o principio da sociedade equilibrada, livre e responsável.Construir um país está na base a construção de um modelo de família com formação humana, cívica e justa.

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  2. O busilis está no COMO... A tarefa dos pais educadores está hoje mais difícil e a maioria parece não estar preparada para levar a missão a bom termo. Como avô terei que reconhecer "mea culpa" por não ter conseguido despertar nos filhos o interesse pela busca do melhor caminho na educação dos meus netos...

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