domingo, 12 de fevereiro de 2017

Janela da Frente - NASCIDOS EM 2000 - A GERAÇÃO COBAIA - Henrique Trigueiros Cunha




Nascidos em 2000 - A geração cobaia

Aparentemente as crianças nascidas no ano 2000 têm pouco jeito para a matemática.
Os futuros médicos, engenheiros e economistas, agora com 17 anos, tiveram resultados desastrosos no seu 10º ano e este ano não estão melhores! Não é normal nem saudável para a auto estima dos alunos termos turmas inteiras com nota negativa numa disciplina de opção. Nunca como agora assisti a tantos alunos a mudar para as artes ou letras perante as dificuldades que encontraram na Matemática!
Como é óbvio, semelhante fenómeno não se deve a um particular alinhamento dos astros ocorrido no início do novo século. Esta é a geração das cobaias do novo programa da disciplina.
A ver pelos resultados, também os que como eu nasceram em 1971 não percebiam nada do assunto. Em 1989 nós fomos as cobaias do novo regime de acesso ao ensino superior que incluia a pioneira PGA – prova geral de acesso – e establecia que o exame de ingresso seria da responsabilidade das universidades e não da escola que nos ensinou.
Ninguém fazia ideia do que constavam as provas nem como as preparar convenientemente. Resultado: a média das notas do exame de matemática nesse ano foi inferior a 4 valores e muitos foram os alunos que como eu entraram na faculdade com médias globais negativas!
A minha experiência permite-me compreender o desespero desta nova geração cobaia dos nascidos em 2000 e dos seus pais que não percebem o que se passa com os seus filhos.
Estou a falar de dezenas de milhar de jovens que em 2018, depois de um calvário de 3 anos, se vão candidatar à universidade com médias consideravelmente mais baixas que as actuais e irão concorrer em condições desiguais com todos os que se apresentem com os resultados obtidos em 2017.
Naturalmente que com o esforço dos professores e alguns acertos administrativos a situação ficará regularizada nos próximos anos – já se notam consideráveis melhorias nos resultados dos alunos um ano mais novos - mas para os de 2000 já virá tarde.
Se é aceitável que os programas sejam revistos ou actualizados periodicamente, não consigo encontrar justificação para uma mudança tão profunda como esta. No ensino inglês o programa da disciplina de matemática vigora desde os anos 50 em escolas de todo o mundo!
As permanentes alterações nos programas e regimes de avaliação fazem vítimas...
Pergunto-me como pensa o ministério da educação minimizar o problema desta geração...

Henrique Trigueiros Cunha

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