quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Janela da Frente - INICIATIVAS LOCAIS DE EMPREGO (PARTIDÁRIO) - Paulo de Morais






Iniciativas locais de emprego (partidário)


As câmaras municipais são as maiores agências de emprego do País. Mas são selectivas na admissão de novos funcionários: admitem de forma preferencial os "boys" partidários, integrando-os nos quadros de pessoal da autarquia ou até em empresas e fundações municipais.

Qualquer jovem cidadão normal, sério, trabalhador, tem imensa dificuldade em obter colocação num qualquer emprego, uma difícil situação que piorou últimos anos. Mas há uma casta que não sofre deste problema: os dirigentes que, nas juventudes partidárias, organizam campanhas eleitorais, arregimentam eleitores e dominam sindicatos de voto.

Uma vez instalados nos seus "tachos", continuam por norma a trabalhar ao serviço dos partidos, mas remunerados à custa dos municípios. Quando há limitações na admissão de novos funcionários nas câmaras, há sempre recurso às empresas municipais. Ao longo dos últimos anos, este fenómeno agravou-se de tal forma que algumas empresas municipais mais parecem sedes partidárias dissimuladas.

Nos municípios mais pequenos, alguns com apenas quatro ou cinco mil eleitores, este problema é ainda mais grave e dramático, sobretudo no plano social. Nesses municípios, a obtenção de um qualquer emprego, ou a promoção numa função, depende quase exclusivamente do presidente de câmara local. Isto porque o maior empregador no concelho é a câmara; o segundo maior é, por regra, a misericórdia local ou alguma instituição de solidariedade, demasiado próximas do poder autárquico.

Com esta estrutura de emprego, só o presidente de câmara e os caciques que dele dependem conseguem atribuir empregos que, em regra, beneficiam afilhados e familiares do presidente, os militantes do partido e os apaniguados das redes clientelares. Claro que a sua seleção raramente resulta do seu currículo ou das suas competências.

Estas práticas reiteradas, nomeadamente nos pequenos concelhos do interior fazem vingar a tese de que a qualidade do desempenho é irrelevante para ocupar um qualquer cargo. A qualidade não constitui critério de escolha de colaboradores, ou de progressão nas carreiras. A estrutura de recursos humanos está assim completamente invertida.

Sendo um problema estrutural do municipalismo em Portugal, esta situação não dá sinais de inversão. Pelo contrário, com a aproximação das eleições autárquicas, em Outubro próximo, as admissões e nomeações adivinham-se em catadupa. O clientelismo dominará em toda a sua força.

Paulo de Morais

7 comentários:

  1. São autênticos centro de emprego, aqui até tem factotum

    ResponderEliminar
  2. Desabafando:

    O nosso sistema democrático universal está doente.
    Por todo o mundo, os eleitores votam pela negativa contra os sistemas sem pensar nas consequências.
    Elegem oportunistas, populistas e demagogos que se aproveitam do descontentamento geral.
    50% abstêm-se e as elites não querem ver o óbvio
    Desde há séculos a classe política é vilipendiada, o que lhes dá conforto.
    São os casos de corrupção e compadrio a serem denunciados onde a justiça é lenta, emperrada e sem resultados mas, vão criando a ilusão de que está atuante.

    O meu dilema:

    Como recuperar a política como arte nobre que devia ser.
    Constato naturalmente que os instalados não vão abdicar de seus lugares.
    A constituição e as leis eleitorais não as vão alterar em seu prejuízo.
    Por tudo isto, eu e muitos milhares sentimo-nos impotentes.
    Louvo a vossa coragem na tentativa para dar a volta a este estado de coisas.
    Boa sorte

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Primeiro, acho que nunca se conseguirá um sistema perfeito há sempre um amigo especial que se faz o esforço extra para pagar algum favor que já foi fornecido.

      Contudo certamente existe muita coisa que pode ser feita.
      O problema é permitirem que um #sistema claro, transparente e justo# seja implementado, e depois, quem de direito #cumpri-lo#. por fim, tem de haver alguma #entidade independente que fiscalize#. Pode-se acrescentar que divulgar esse sistema também é importante para que os cidadãos possam ajudar identificando alguma situações menos corretas.

      Desconheço como funcionam as autarquias, tenho como toda a gente, a clara sensação que são um antro de corrupção e impunidade e até julgo que o controlo que referi existe sobre diversas entidades para quem as câmaras têm de prestar contas. Agora se isto funciona, claro que não mas como também não conheço em detalhe não me sinto capaz para contribuir.

      Eliminar
  3. Por isso é tão importante a Frente Cívica e outras instituições: Denunciar, fazer transparecer e, se algum dia, for possível fazer criar trabalho a quem realmente tem vocação para esses trabalhos!

    ResponderEliminar
  4. Por isso é tão importante a Frente Cívica e outras instituições: Denunciar, fazer transparecer e, se algum dia, for possível fazer criar trabalho a quem realmente tem vocação para esses trabalhos!

    ResponderEliminar
  5. Consequência política, também evidente e importante. A força política no poder tende a perpetuar
    os seus mandatos pelo receio que têm os que foram bafejados pelos compadrios de perderem os seus empregos ou benesses se não votarem nos "padrinhos".

    ResponderEliminar
  6. Gostei das linhas orientadoras da Frente Cívica, mas temos que todos nos unirmos para poder salvar o nosso país da corrupção que o vai destruindo dia após dia. Pessoas de carácter como o Dr, Paulo de Morais devem ter o apoio de todos os portugueses para tentar mudar o nosso regime.

    ResponderEliminar