domingo, 14 de maio de 2017

Frente Cívica presente na celebração da constituição da Associação de Amizade Portugal Paquistão - Pak Portugal Association







Celebração da constituição da Associação de Amizade Portugal, Paquistão -
 Pak Portugal Association


Na sequência da constituição da Associação de Amizade Portugal Paquistão - Pak Portugal Association e aproveitando a visita do Sr. Ministro dos Direitos Humanos do Paquistão a Lisbon, Dr. Kamran Michael, a Frente Civica foi convidada para o evento de boas vindas e celebração daquela associação. 





 
"Numa sessão organizada pela Associação de Amizade Portugal Paquistão - Pak Portugal Association, na presença do ministro dos Direitos Humanos do Paquistão, Kamran Michael, defendi que os Direitos Humanos são um direito mundial e não uma qualquer prerrogativa nacional. Sempre na defesa dos direitos humanos, instei o ministro Kamran MIchael a promover no Paquistão os direitos humanos, nomeadamente o direito à vida, o direito de liberdade de expressão, o direito de liberdade de reunião e o direito de liberdade religiosa. Em particular, exprimi a minha preocupação pelas dificuldades de exercício de liberdade religiosa das minorias, em particular as perseguições de que são alvo alguns grupos cristãos e a comunidade ahmadia."
Paulo de Morais

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Janela da Frente - CORRUPÇÃO E PECADO - Paulo de Morais



  CORRUPÇÃO E PECADO

 

“O Pecado perdoa-se, a Corrupção Não”. Quem o afirma é o Papa Francisco, em livro recentemente editado em Portugal. Porquê? Porque o perdão implica arrependimento, o que acontece quando se peca. Mas a corrupção nunca traz arrependimento aos corruptos, e assim é como uma assimilação permanente do pecado. Logo, não havendo arrependimento, não há direito ao perdão. Esta mensagem do Papa é particularmente importante em Portugal, sociedade com características psicossociais marcadas pela tradição católica; numa comunidade dominada pelo perdão, pelos brandos costumes, pela permissividade.
No mesmo livro, “Corrupção e Pecado”, o Papa que por estes dias visita Fátima, proclama ainda que a Corrupção tem de ser denunciada. Diz-nos que “a corrupção é como o mau hálito”, têm de ser os outros a assinalá-la, uma vez que os próprios dela se não apercebem. Francisco vai mais longe, preconiza a denúncia da corrupção sem complexos. Com efeito, quem denuncia tem de ser protegido ou premiado, em qualquer circunstância. Esta denúncia corajosa deve ser entendida como colaboração com a Justiça.
Não perdoar a corrupção, denunciar a corrupção, sempre. Infelizmente, não tem sido esta a forma de reagir da sociedade portuguesa. A marca tem sido a passividade. E não é uma passividade por ignorância. Pois os casos de corrupção estão à vista, impõem-se-nos, de forma ostensiva e arrogante (Euro 2004, Expo 98, BPP, BPN, aquisição de submarinos, Banif e BES, Swaps, Parcerias Público-Privadas). Mas não há condenados e, quando há, estes não cumprem as penas. Não há ainda recuperação dos activos. A impunidade é a norma. E, na prática, a impunidade do sistema face à corrupção, funciona como um perdão aos corruptos e ao próprio fenómeno.
Além do mais, a sociedade não denuncia. Em primeiro lugar, porque a denúncia não é fácil. Apesar de haver legislação de protecção a denunciantes, sabemos bem que ela não é levada muitas vezes em linha de conta. Todos conhecemos situações de funcionários que, por terem denunciado situações ambíguas ou menos sérias, foram perseguidos ou afastados. Por outro lado, não há denúncias de corrupção porque muitos dos cidadãos andam anestesiados, alienados do fenómeno social, da sua vida pública; enquanto outros, apesar de mais conscientes, caíram na desesperança.
“A corrupção cheira a podre” diz-nos o Papa. Acrescento eu que uma democracia que está dominada pela corrupção, também cheira a podre. Precisa claramente de uma regeneração. E o primeiro passo para a regeneração é a consciencialização de que ela está podre. É pois necessário agitar este ambiente pantanoso, para que uns acordem e outros recuperem a esperança. Aliás, também neste livro, o Papa nos apela ”Não temas… a esperança. A esperança não engana”.

domingo, 30 de abril de 2017

Janela da Frente - PRIORIDADE AO ESPAÇO PÚBLICO - Paulo de Morais



 

Prioridade ao Espaço Público 

As Câmaras Municipais têm como primeira missão a gestão e manutenção de todo o espaço público, mas esta função tem sido completamente esquecida. Não há quaisquer sistemas de manutenção da via pública nas cidades, falha a vigilância territorial nos espaços rurais. Inverter esta tendência é um dos maiores desafios do poder local emergente das eleições de 2017; que estão à porta.
Nas zonas urbanas, em particular nas áreas metropolitanas, as ruas, os passeios, os jardins estão num estado deplorável. Passear nas cidades é um suplício. O risco de tropeçar em cada buraco num passeio é constante, afectando em particular os mais idosos. Quem viaja de autocarro, vê as suas colunas muito maltratadas face às irregularidades dos pisos das ruas. Como também não são limpas as condutas de águas pluviais, às primeiras chuvadas as cidades ficam inundadas. De tempos a tempos, há derrocadas de prédios, porque as câmaras abdicam do seu papel de fiscalizadores da segurança e salubridade dos edifícios. A iluminação é inexistente em algumas zonas, noutras abundam as lâmpadas fundidas; as consequências em termos de insegurança são inquietantes.
Nos meios rurais o panorama é análogo. O alheamento dos autarcas levou ao abandono do território e colocou este à mercê dos incêndios de verão, com as consequências que sentimos todos os anos. Morrem bombeiros, gasta-se centenas de milhões no combate aos fogos, abdica-se de potenciais lucros com comercialização de biomassa. Enquanto isto, as entidades públicas persistem num sistema de combate a incêndios cujos resultados são miseráveis e beneficiam apenas algumas máfias que se apoderaram do "negócio dos fogos".
Em vésperas de eleições autárquicas, de renovação no poder local, espera-se agora que não haja apenas uma mudança de nomes e dança de cadeiras, mas sim uma verdadeira regeneração. É bem necessária.