quinta-feira, 21 de julho de 2022

Frente Cívica quer suspender processos de naturalização pela lei dos sefarditas

Ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro

Associação escreve à ministra da Justiça pedindo urgência no inquérito interno às suspeitas de ilegalidades no Instituto de Registos e Notariado

A associação Frente Cívica escreveu esta quinta-feira, 21, à ministra da Justiça pedindo-lhe que suspenda todos os processos de naturalização pendentes ao abrigo da lei dos sefarditas, enquanto não for completado o inquérito interno anunciado em Janeiro às suspeitas de irregularidades no Instituto dos Registos e Notariado, que culminaram na atribuição da nacionalidade portuguesa ao oligarca russo Roman Abramovich.

A carta, a Frente Cívica lamenta a demora na conclusão do inquérito interno do Instituto dos Registos e Notariado, “numa matéria em que o Estado português está objectivamente sob suspeita, junto da opinião pública e das instâncias internacionais, de ter actuado de forma negligente – ou mesmo conivente – com a venda ilegal de passaportes de conveniência a um cidadão russo actualmente alvo de sanções da União Europeia”.

Por isso, a Frente Cívica pede à ministra Catarina Sarmento e Castro que complete com urgência o inquérito em curso e que, de imediato, faça um ponto de situação público sobre o andamento dessa investigação. A Frente Cívica pede ainda que sejam suspensos todos os processos de naturalização que estejam pendentes ao abrigo da lei que permite a atribuição da nacionalidade portuguesa por descendência sefardita e que seja publicada uma lista dos cidadãos já naturalizados ou requerentes da naturalização que correspondam à definição de Pessoas Politicamente Expostas.

A carta, assinada pelo presidente da Frente Cívica, Paulo de Morais, e pelo vice-presidente João Paulo Batalha, surge na sequência de notícias que davam conta de que, além de Roman Abramovich, também o oligarca russo Andrei Rappoport já terá obtido a nacionalidade portuguesa ao abrigo desta norma e que outros dois oligarcas, Lev Leviev e God Nisanov, estarão a aguardar a decisão dos seus processos por parte do Governo português. A Frente Cívica pede também que, independentemente do apuramento de eventuais responsabilidades disciplinares no IRN, que depende do inquérito em curso, o Governo português confirme a legalidade dos processos de naturalização de Abramovich e Andrei Rappoport ou que, confirmando-se a ilegalidade desses processos, anule a atribuição da cidadania portuguesa aos dois oligarcas.

Abaixo, a carta enviada à ministra da Justiça na quinta-feira, 21 de Julho de 2022.


Exma. Sra. Ministra da Justiça,

Prof. Doutora Catarina Sarmento e Castro

Praça do Comércio

1149-019 Lisboa

 

 

Assunto: Naturalização de descendentes de judeus sefarditas

Data: 21 de Julho de 2022

Exma. Sra. Ministra da Justiça,

A 19 de Abril passado escrevemos-lhe, em nome da Frente Cívica, para expressar a nossa preocupação com o processo de naturalização do oligarca russo Roman Abramovich, ao abrigo da norma que permite a concessão da nacionalidade portuguesa a descendentes comprovados dos judeus sefarditas expulsos do território nacional por édito do Rei D. Manuel I. Expressámos nessa ocasião a nossa preocupação pela forma como o processo de Roman Abramovich foi tramitado e decidido; e manifestámos o nosso sentido de urgência quanto à necessidade de uma rápida conclusão do inquérito aberto a propósito, no Instituto dos Registos e Notariado (IRN).

Infelizmente, desde então não só não tivemos resposta de V. Exa. às nossas fundadas preocupações, como não nos chegou notícia pública de que o inquérito do IRN tivesse chegado a quaisquer conclusões ou apurado quaisquer responsabilidades numa matéria em que o Estado português está objectivamente sob suspeita, junto da opinião pública e das instâncias internacionais, de ter actuado de forma negligente – ou mesmo conivente – com a venda ilegal de passaportes de conveniência a um cidadão russo actualmente alvo de sanções da União Europeia.

É grave que tais suspeitas tardem em ser esclarecidas, mas é mais grave ainda que novas suspeitas se avolumem quanto à tramitação de processos de naturalização semelhantes. Com efeito, o jornal Público, na sua edição desta quarta-feira, 20, reporta que outro oligarca russo, Andrei Rappoport terá já obtido a nacionalidade portuguesa ao abrigo da mesma norma, e dois outros, Lev Leviev e God Nisanov estarão a aguardar a decisão dos seus processos por parte do Governo português[1].

Exma. Sra. Ministra,

É cada vez mais evidente que a naturalização de Roman Abramovich não é um caso isolado e que um número indeterminado de outros processos – potencialmente dezenas ou centenas – levantam as mesmas dúvidas de lisura e legalidade, que estão aliás no centro de uma investigação criminal em curso e que o Estado português tem a obrigação urgente de esclarecer, também no plano político e administrativo.

Assim, vimos pela presente requerer a V. Exa.:

1-     Que o inquérito em curso no IRN aos processos de naturalização por descendência sefardita seja concluído no mais curto espaço de tempo possível, sendo tornadas públicas as diligências efectuadas e as conclusões a que chegue o dito procedimento;

2-     Que, sem prejuízo da urgência na conclusão do inquérito em curso, o Governo faça, de imediato, um ponto de situação público sobre o mesmo, indicando, mesmo que brevemente, que diligências foram já tomadas, que dados relevantes foram apurados e qual a expectactiva temporal para a conclusão do inquérito;

3-     Que qualquer decisão de atribuição da nacionalidade portuguesa respeitante a processos de naturalização pendentes seja suspensa até à conclusão do inquérito em curso no IRN;

4-     Que, como já requerido ao Exmo. Sr. primeiro-ministro em cartas remetidas pela Frente Cívica a 22 de Março e 17 de Maio do corrente, o Governo ateste a legalidade e lisura da atribuição da nacionalidade portuguesa a Roman Abramovich, publicando o parecer da Comunidade Israelita do Porto e demais documentação de prova da descendência sefardita que, sendo necessariamente documentação histórica, não está nem pode estar protegida por sigilo de dados pessoais; ou que, em caso de ser ilegal ou fraudulento o processo de naturalização deste cidadão, seja urgentemente suscitada a nulidade do acto e retirado o passaporte português a Roman Abramovich;

5-     Que o mesmo procedimento seja também aplicado ao processo de naturalização do cidadão Andrei Rappoport;

6-     Que o Governo organize e publique uma lista de beneficiários naturalizados ao abrigo desta norma, bem como de requerentes cujos processos estejam ainda pendentes, que se integrem no conceito de Pessoas Politicamente Expostas.

Somos, com os nossos cumprimentos,


Pela FRENTE CÍVICA,

Paulo de Morais, Presidente

João Paulo Batalha, Vice-Presidente



[1] “Mais um oligarca russo já é português e outros dois esperam por passaporte”, Público, 20/07/2022, acessível em: https://www.publico.pt/2022/07/20/sociedade/noticia/oligarca-russo-ja-portugues-dois-esperam-passaporte-2014282

terça-feira, 5 de julho de 2022

Frente Cívica pede explicações sobre atraso na publicação dos registos de interesses dos deputados

Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia da República

A associação Frente Cívica escreveu esta terça-feira, 5 de Julho de 2022, ao presidente do Parlamento, Augusto Santos Silva, alertando para a demora na publicação dos registos de interesses dos deputados, que continuam a não estar disponíveis no site da Assembleia da República, mesmo já depois de passados todos os prazos legais para a entrega dessa informação por parte dos deputados e membros do Governo.

"Não é na nossa perspectiva aceitável esta situação de incumprimento, que limita objetivamente a capacidade de a sociedade civil escrutinar a actuação do Parlamento e dos seus Deputados, em debates cruciais como o do Orçamento do Estado que acaba de ocorrer, e na qual se tornou impossível avaliar as intervenções dos Deputados à luz dos interesses que tenham registado", lê-se na carta assinada pelo presidente da Frente Cívica, Paulo de Morais. "A não divulgação do registo de interesses dos Deputados, em violação da Lei, permite suspeitar que haja alguma informação que o Parlamento pretenda esconder dos cidadãos, no âmbito das Declarações entregues ou – o que seria muito pior – que estas estejam a ser alvo de alguma cosmética, tendo em vista camuflar informação relevante e que assim seria ocultada aos cidadãos".

Abaixo, o texto completo da carta.


Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República,
Prof. Doutor Augusto Santos Silva 

  

Assunto: Divulgação do Registo de Interesses de Deputados

Data: 5 de Julho de 2022

 

Excelência,

Os cidadãos portugueses não têm ainda acesso aos registos de interesses dos Senhores Deputados, apesar de já terem passado mais de noventa dias sobre a data da posse do Parlamento, em 29 de março de 2022. Afigura-se-nos esta situação inadmissível, porquanto atenta contra o princípio constitucional de liberdade de informação e contraria as exigências de transparência impostas aos titulares de cargos políticos. Esta sonegação de informação é, ademais, ilegal.

Com efeito, nos termos do Artigo 26.º da Lei 60/2019, de 13 de Agosto, “Os Deputados estão obrigados à entrega da declaração única de rendimentos, património e interesses, nos termos previstos no regime do exercício de funções por titulares de cargos políticos e altos cargos públicos”. Essa entrega deve ocorrer “no prazo de 60 dias contados a partir da data de início do exercício das respetivas funções”, como estipulado pelo Artigo 13.º da Lei 52/2019, de 31 de Julho. Pelo que a informação relativa ao registo de interesses deveria ter sido disponibilizada aos cidadãos a partir da data de 28 de Maio de 2022.

E, mesmo na eventualidade de algum Deputado não ter então efectuado a referida entrega, o Artigo 18.º da já citada Lei 52/2019, determina que “Em caso de não apresentação ou apresentação incompleta ou incorrecta da declaração e suas atualizações (…) a entidade responsável pela análise e fiscalização das declarações apresentadas notifica o titular ou antigo titular do cargo a que respeita para a apresentar, completar ou corrigir no prazo de 30 dias consecutivos ao termo do prazo de entrega da declaração”.

Por outro lado, nos termos do Artigo 26.º da Lei 60/2019, “A Assembleia da República assegura obrigatoriamente a publicidade no respectivo sítio da Internet dos elementos da declaração única relativos ao registo de interesses dos Deputados”. E, para poder cumprir esta determinação de forma adequada e em prazo aceitável, “A Comissão Parlamentar de Transparência e Estatuto dos Deputados tem acesso electrónico em tempo real à totalidade das declarações de rendimentos, património e interesses apresentadas pelos Deputados à Assembleia da República e pelos membros do Governo, para efeitos de cumprimento das suas atribuições e competências.”

Resulta inevitavelmente do exposto que a Comissão Parlamentar de Transparência e Estatuto dos Deputados, dispondo dos meios técnicos e legais, deveria ter disponibilizado, no sítio da Internet, a informação relativa ao registo de interesses dos Deputados a partir, no máximo, do 61.º dia a partir da data de início do exercício das respetivas funções, para os Deputados cumpridores; e, no máximo, a partir do 91.º dia, relativamente aos Deputados que eventualmente não tenham apresentado a sua declaração ou o tenham feito de forma incompleta ou incorrecta.

Não é na nossa perspectiva aceitável esta situação de incumprimento, que limita objetivamente a capacidade de a sociedade civil escrutinar a actuação do Parlamento e dos seus Deputados, em debates cruciais como o do Orçamento do Estado que acaba de ocorrer, e na qual se tornou impossível avaliar as intervenções dos Deputados à luz dos interesses que tenham registado. A não divulgação do registo de interesses dos Deputados, em violação da Lei, permite suspeitar que haja alguma informação que o Parlamento pretenda esconder dos cidadãos, no âmbito das Declarações entregues ou – o que seria muito pior – que estas estejam a ser alvo de alguma cosmética, tendo em vista camuflar informação relevante e que assim seria ocultada aos cidadãos.

Vimos, pois, solicitar a Vossa Excelência que determine a recolha, por parte da Comissão Parlamentar de Transparência e Estatuto dos Deputados, da informação relativa ao registo de interesses de todos os Deputados. E, de seguida, proceda à sua divulgação imediata no sítio da Internet da Assembleia da República, sem prejuízo de futuras actualizações que se venham revelar necessárias ou úteis no âmbito do trabalho de verificação das ditas declarações, actualmente em curso em sede da Comissão Parlamentar de Transparência e Estatuto dos Deputados.

Com os melhores cumprimentos,


Paulo de Morais,

Presidente da Frente Cívica

 

 


terça-feira, 21 de junho de 2022

Frente Cívica pede debate amplo nas alterações à lei de financiamento político

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A associação Frente Cívica escreveu esta terça-feira ao presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, pedindo ao Parlamento que promova amplas audições públicas envolvendo a sociedade civil, peritos e organizações internacionais antes de aprovar quaisquer novas alterações à lei de financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais. 

Duas propostas de alteração da lei, feitas pelo PSD e pelo PAN, vão agora ser trabalhadas na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, depois de terem sido aprovadas em plenário na sexta-feira, 17. Vários outros projectos de lei, que limitavam benefícios fiscais ou subvenções públicas aos partidos, foram chumbados na mesma altura.

"Anteriores alterações da lei de financiamento político foram feitas sem amplo debate público, fundamentação técnica ou audição de especialistas, resultando em modificações que aumentaram a instabilidade legislativa, criaram mais dificuldades de controlo, maiores obstáculos à transparência, desigualdades objectivas de tratamento entre grupos de cidadãos eleitores, nas eleições para as autarquias locais, e partidos políticos (com benefício para estes últimos) e, como resultado, menos confiança junto dos cidadãos", aponta a carta da Frente Cívica, assinada pelo presidente da associação, Paulo de Morais, e pelo vice-presidente João Paulo Batalha.

"Os partidos políticos não podem legislar em causa própria, e em vantagem própria, sem amplo debate, participado, transparente e aberto à sociedade civil", escreve ainda a associação, apelando ao presidente do Parlamento que assegure essa participação pública, essencial para a legitimidade democrática de quaisquer alterações que venham a ser feitas.

Leia abaixo a carta completa:


 

 

Assunto: Projectos de Lei sobre Financiamento Político

Data: 21 de Junho de 2022

 

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República,

A Assembleia da República acaba de aprovar na generalidade, no seu plenário de 17 de Junho último, os Projetos de Lei n.ºs 42/XV/1.ª (PSD) e 117/XV/1.ª (PAN), que procedem a mais uma alteração à Lei do Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais. Em consequência, ambos os projectos baixaram à 1ª Comissão.

Naturalmente, não questionamos a legitimidade do Parlamento para alterar a legislação. Mas somos compelidos a sublinhar a V. Exa. – e, por seu intermédio, a todos os deputados – que, quando legisla sobre financiamento partidário e de campanhas eleitorais, a Assembleia da República actua em causa própria, dado que são os partidos políticos abrangidos pela lei que têm o exclusivo da representação parlamentar.

Acresce que anteriores alterações da lei de financiamento político foram feitas sem amplo debate público, fundamentação técnica ou audição de especialistas, resultando em modificações que aumentaram a instabilidade legislativa, criaram mais dificuldades de controlo, maiores obstáculos à transparência, desigualdades objectivas de tratamento entre grupos de cidadãos eleitores, nas eleições para as autarquias locais, e partidos políticos (com benefício para estes últimos) e, como resultado, menos confiança junto dos cidadãos.

No momento em que a Assembleia da República inicia mais um processo de revisão da lei de financiamento político, vem por este meio a Frente Cívica apelar a que a discussão das propostas que agora baixam à 1ª Comissão seja feita de forma inclusiva e alargada, com audições públicas a organizações da sociedade civil, a peritos nacionais e internacionais, à actual e a anteriores presidentes da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos e a organismos internacionais de que Portugal é membro, que têm conhecimento produzido e recomendações emitidas sobre esta matéria, nomeadamente o Grupo de Estados Contra a Corrupção (GRECO) do Conselho da Europa, a OCDE ou a OSCE.

A Frente Cívica está desde já disponível para participar neste processo e para sugerir, se necessário, uma lista de audições e pedidos de parecer a pessoas e entidades conhecedoras e capacitadas. Este debate amplo, absolutamente necessário, não deve ser negado sob o pretexto de que se trata de propostas de alteração pontual da lei. A prática de 19 anos de vigência da lei de financiamento político em Portugal é a de alterações “pontuais” constantes que, somadas, têm prejudicado grandemente a eficácia do controlo, a equidade no acesso ao financiamento e a transparência e confiança dos cidadãos. Mais revisões casuísticas é precisamente o que se deve evitar.

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República,

Os partidos políticos não podem legislar em causa própria, e em vantagem própria, sem amplo debate, participado, transparente e aberto à sociedade civil. Confiamos na sua liderança para garantir essa ampla participação democrática.

Com os melhores cumprimentos,


Paulo de Morais,

Presidente da Frente Cívica

 

João Paulo Batalha

Vice-presidente da Frente Cívica


quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Frente Cívica elege novos corpos sociais

 

O Conselho de Direcção da Frente Cívica para o triénio 2021-2024

A Assembleia Geral da Frente Cívica elegeu esta quarta-feira, 1 de Dezembro, os seus corpos sociais para o triénio 2021-2024. A eleição marca o restabelecimento pleno da actividade da Frente Cívica, que havia sido suspensa em Fevereiro de 2020. 

Em Junho de 2021, a Assembleia Geral tinha deliberado reiniciar os trabalhos da Frente Cívica, tendo então sido formada uma comissão para assegurar os procedimentos administrativos necessários à reactivação da associação e à realização das eleições que agora culminaram com a escolha dos novos corpos sociais, que tomaram posse imediatamente a seguir à votação.

Os membros dos órgãos sociais para o triénio 2021-2024 são:

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

Presidente: António Manuel Ribeiro 

Secretário: Manuel Mendes Monteiro 

Secretário: Liesbeth Vermoesen 

CONSELHO DE DIRECÇÃO

Presidente: Paulo Teixeira de Morais

Vice-Presidente: Maria Teresa Serrenho 

Vice-Presidente: João Paulo Batalha

Vogal: José Matos

Vogal: Rui Torres

CONSELHO FISCAL

Presidente: Alberto Fróis Santos 

Vice-Presidente: Maria Fernanda Oliveira

Vogal: José António Almeida

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Reutilização e gratuitidade nos livros escolares

Reutilização e gratuitidade nos livros escolares.


Quis o destino que fosse eu protagonista na caminhada rumo à reutilização Universal dos livros escolares em Portugal.

Percebi em 2011 que tal como eu muitos outros portugueses se incomodavam com as dificuldades financeiras das famílias no regresso às aulas enquanto milhões de livros escolares, a maior fatia desta despesa sazonal dos pais, jaziam nas prateleiras lá de casa sem aproveitarem a mais ninguém.

Ao primeiro banco de partilha gratuita de livros que abri no Porto sucederam outros espalhados por todo o país tendo como denominador comum o facto de não envolverem dinheiro e serem promovidos em regime de voluntariado.

No auge deste movimento chegaram a ser mais de 300 pontos de entrega gratuita de livros escolares envolvendo milhares de pessoas sem ligação entre si num dos mais bem-sucedidos exercícios espontâneos de luta contra o despesismo de que há memória no nosso país!

Com a autoridade de quem representa a vontade de centenas de milhar de famílias de reutilizar os livros escolares o movimento reutilizar.org trouxe, ano após ano, o tema para a discussão pública.

O facto de a reutilização universal dos livros escolares permitir a sua gratuitidade para as famílias representa um passo de gigante rumo ao cumprimento do artigo 74º da Constituição - gratuitidade do Ensino obrigatório - o que por si só justifica a entrada deste assunto, pela voz do candidato Dr. Paulo de Morais, na última campanha eleitoral das presidenciais.

Como resultado da discussão pública gerada em torno da reutilização dos livros escolares ter chegado ao ponto mais alto, temos hoje uma Secretária de Estado da Educação, Profª Alexandra Leitão, que tomou a causa como sua e, no exercício do seu mandato, implementou o que há mais de 10 anos estava previsto em Lei mas ninguém teve coragem de fazer.

Do seu empenho nesta causa resulta que já no próximo ano lectivo todos os alunos do ensino público tenham acesso gratuito a livros escolares - reutilizados ou novos - com uma considerável poupança a prazo para os cofres públicos.
Mas como tudo na vida, há sempre um mas...

Nem tudo está feito! Porque se trata do cumprimento da Constituição não seria aceitável que esta iniciativa não venha a beneficiar em breve todos os cidadãos de outros estabelecimentos de ensino - este é o passo que falta rumo à reutilização Universal dos livros escolares em Portugal e pelo qual o movimento reutilizar.org se continuará a bater até ser atingido!

E ainda há muitos detractores da reutilização e da ideia de poupar dinheiro às famílias e aos contribuintes com um enorme ganho ambiental.

- Por um lado temos a indústria livreira que, receando eventuais prejuízos, põe na voz dos seus peões ameaças veladas de infelicidade das criancinhas, caos nas escolas e a falência das pequenas livrarias que há dezenas de anos exploram de forma indecente e imoral.

- Por outro lado estão os que, para fins eleitorais, já se vangloriam em cartazes espalhados pelas cidades da gratuitidade dos livros escolares como se tal fosse um fim por si só, esquecendo que tal só é possível tendo como pressuposto a sua reutilização. De acordo com o este ponto de vista os livros deverão ser novos e grátis todos os anos, como se os impactos, financeiro e ambiental desse despesismo não devessem ser levados em conta.

Porque estamos a falar de dois grupos "inimigos da reutilização" com fortíssima implantação dentro das escolas e do Estado, modero o meu optimismo quanto às vitórias já conseguidas nesta caminhada.

Quis o destino que muitos dos que partilham comigo o ideal da reutilização sejam como eu teimosos e persistentes. Com eles e com quem mais queira, continuarei a caminhada rumo à reutilização dos livros escolares em Portugal!

Henrique Trigueiros Cunha
24/01/2019

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Janela da Frente - COLETES AMARELOS - Paulo de Morais



COLETES AMARELOS


A movimentação de cidadãos em torno de uma causa comum é sempre salutar. Em particular, deve ser saudada, num País com uma sociedade civil anestesiada, uma opinião pública pouco interventiva e, muitas vezes, manipulada por uma comunicação social servil ao regime.


É, pois, bom que as pessoas se manifestem, de amarelo, vermelho, azul ou preto. Se acham que o regime merece um cartão amarelo, então vistam-se de amarelo, em concentração, manifestação, ou até de forma isolada, no seu próprio local de trabalho. 

Manifestem-se, por poucos que sejam. Façam-no sem medo e sem ceder à pressão dos que pretendem coarctar a liberdade de manifestação ou lançar anátemas sobre manifestações espontâneas de cidadãos.

Numa manifestação informal, inorgânica e espontânea, ninguém deve assumir o seu comando ou tão-pouco apropriar-se da expressão da vontade dos demais. E, da mesma forma, ninguém pode ser responsabilizado por eventuais desacatos, a não ser os seus próprios autores ou quem os contratar ou manipular.

Aos que se manifestem (muitos ou poucos), desejamos uma boa jornada. De todos os restantes, apenas se exige tolerância democrática.


Das forças policiais, exige-se respeito pelos manifestantes pacíficos e legítimos, mas igualmente uma atitude implacável com quem perturbe a ordem, seja qual for o lado da barricada em que esteja (ou finja estar).

Paulo de Morais
19/12/2018

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Janela da Frente - Começar de novo - Maria Teresa Serrenho


Começar de novo

Mais um ano está a chegar ao fim. É habitual dizermos que passou num instante, que os anos voam, o que não deixa de ser verdade, no entanto para mim, este foi um ano tão diversificado em acontecimentos e emoções, que dificilmente posso considerar que passou num instante, pelo contrário parece-me que foi enorme. Olhando para trás constato que a minha acção cívica foi tão intensa que é quase impossível dissociá-la da minha vida privada.
Na vida privada tive momentos de amizade partilhada, de viagem, de convívio, de reencontro, de aprendizagem, de alegria e diversão, de ternura e gratidão. Mas também momentos de perda e de tristeza, que nos abalam e fazem pensar sobre o valor da vida e sobre as escolhas que fazemos para a aproveitar em cada momento.
Eu escolhi há muito, não ser conformista, nem revolucionária de sofá, mas antes uma cidadã activa e interventiva, por isso continuo aqui.    
Desde o início do ano que as acções da Frente Cívica se multiplicaram, foi o cessar de funções da Comissão Instaladora, a realização da Assembleia Eleitoral e logo de seguida a organização e apresentação da Iniciativa Legislativa de Cidadãos para vencer as PPP - Rodoviárias. Seguiu-se uma quase volta a Portugal, de norte a sul, desdobrámo-nos entre sessões de esclarecimento e recolhas de assinaturas.
Nestas andanças conhecemos pessoas interessantes e interessadas, pessoas que se dispõem a organizar eventos, que recolhem assinaturas junto dos seus conhecidos e familiares. Mas constatámos também, que há pouca capacidade de mobilização e pouca resiliência por parte da generalidade das pessoas.
O que agora indigna e revolta, amanhã já foi esquecido, sem consequências, nem acção, por isso ainda nos faltam assinaturas! Isto para não falar dos medos, dos medos que continuam a tolher e encolher as pessoas, que cada vez mais se auto-censuram e se privam da sua própria liberdade.
Lamentavelmente é grande a minha indignação e revolta, com o estado a que chegou Portugal: a corrupção que parece endémica, aparecem novos casos cada dia; a justiça que não actua; a decadência dos equipamentos em todos os sectores é evidente e cada vez mais preocupante; a falta de compromisso dos dirigentes, a ganância e ambição e os interesses económicos a sobreporem-se a qualquer valor humano.
Mas, o ano está a chegar ao fim e novo ano se seguirá, neste círculo de tempo em que o fim é sempre um recomeço. 
Vamos agarrar o nosso projecto de lei como se fosse a primeira vez, precisamos de mais gente empenhada e activa, a nossa Iniciativa Legislativa de Cidadãos tem de demonstrar que a Cidadania tem força, tem poder.
Será o início de uma mudança de paradigma para a próxima legislatura. 
Vamos em Frente, vamos vencer as PPP-Rodoviárias. 

13 de Dezembro de 2018
Maria Teresa Serrenho